domingo, 6 de junho de 2010

A versão de Eustáquio Apoitia sobre a chacina


"Tinha o Ary, mataram, eu conheci eles todos. Quem mandou matar? Foi a burguesia. Quem mandou não apareceu matando, só dizem que os comunistas inventaram de reagir contra a polícia[...]eu tava em Rivera aquela noite, quando eu vinha subindo começou o tiroteio, eu vinha com quatro e nos disseram prás banda da linha - vocês se escondam, porque tão matando os comunistas, mataram três ou quatro lá, bem na frente doTupinambá, alí . Nós vinha bem na esquina de Rivera, na linha, subindo ali, nós tinha ido comer na Cueva, e nós vinha vindo pro comício, mas não chegou a haver nada de comício, claro. O Ari Kulmann tinha uma pensão, a pensão da Dona Maria, ali na linha, ele foi o primeiro que morreu. E veio um do Armour que morreu, o Aladim Rosales. Tinha um morto no café Tupinambá E daí eles levaram eles pra Santa Casa, todos eles mortos e lá atiraram, como bixo, e não deixaram ninguém ver. Ai todos nós do partido fomos pra frente da Praça de Esportes, e ali juntamo um grupo de gente de ponta a ponta da praça, então eles marcaram o enterro. Então botaram eles no caixão e não deixaram se despedir de ninguém! Depois que sepultaram deixaram entrar no cemitério, mas aí, não adiantava mais nada, nós sem arma, o que ia adiantar? Os caras armado com mosquetão! Depois fizeram processo e veio gente daqui e dali, bons advogados, mas não adiantou nada! A policia toda foi absolvida e o brigadiano promovido, sabe o que é isso?"
O depoimento do construtor e militante do PC santanense Eustáquio Apoitia , filho do líder anarquista espanhol, Antônio Apoitia, joga novas luzes sobre o episódio do massacre do Parque Internacional. Na foto histórica, do acervo de Perseverando Santana, os companheiros visitam o túmulo dos militantes assassinados, 10 anos depois, em companhia de Luis Carlos Prestes, líder máximo do partido. Na foto, a partir da esquerda: Padilha, Ari Saldanha, Pedro Peres, Ângelo Cabeda, Luis Carlos Prestes, Eustáquio Apoitia e Cursine. Publicado em Memórias Boêmias, histórias de uma cidade de fronteira (Edunisc, 2008).

Um comentário:

  1. Que maravilha.
    Emocionado!
    Tenho um sonho há muitos anos e ainda penso tornar realidade: a inauguração da praça 4As, sendo que cada uma das 4 ruas que limitam a praça 4A (ou 4As) levaria o nome de um dos camaradas chacinados em 50. Tínhamos de encontrar um vereador amigo (de preferência de um partido mais à direita) para apresentar o projeto, de forma a garantir sua aprovação. No dia da inaguração, muitos de nós que não mais moramos em Santana iríamos para render essa justa homenagem.

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